PMs Doam Ar-Condicionado A Pai De Menino Com Paralisia Cerebral

Uma história que inspira esperança. É algo que o morador do Rio de Janeiro carece quando abre o noticiário policial da cidade. Mas, na segunda semana do ano, um ato de generosidade e compaixão de dois policiais militares ajudará um menino com paralisia cerebral a ter um pouco mais de conforto neste verão, que tem ultrapassado os 40 graus nos termômetros.

O caso aconteceu no calçadão de Alcântara, em São Gonçalo, na Região Metropolitana da cidade, no início desta semana. Sob um calor quase insuportável, o Sargento França Junior, de 47 anos, fazia um patrulhamento de rotina, quando decidiu entrar na loja de bijuterias onde Marcos Viana trabalha, para perguntar se as coisas haviam melhorado com o novo esquema de policiamento de proximidade implementado pelo 7ºBPM (São Gonçalo).

  • Ele me disse que não sabia como nós, policiais, estávamos aguentando todo aquele calor debaixo da nossa farda. Ele me disse que, para ele, esta é a pior estação do ano. A loja estava fresquinha, então eu sorri e questionei o motivo. Foi então que ele me contou que tinha um filho especial e que, nesta época do ano, ele não consegue dormir e fica se debatendo por conta da alta temperatura que faz, mesmo de noite – conta o Sargento.

Ele diz que, na hora, ele não teve dúvidas de que deveria dar um ar-condicionado ao rapaz. Mas o aumento considerável na conta de luz que um aparelho destes causa foi algo que o fez repensar a ideia.

  • Sei que uma pessoa que ganha pouco não tem condições para pagar o valor que vem a (conta de) luz quando se usa este aparelho. Mas fui para casa com isso na cabeça aquele dia. Depois, conversei com meu parceiro de guarnição, o Cabo W. Coutinho, e ele topou dividirmos um ar para o rapaz. Mas antes, deveríamos perguntar se ele conseguiria manter o presente. No dia seguinte, na quarta-feira, França e Coutinho foram à loja. Emocionado, Marcos comemorou e disse que, por ter conseguido uma casa própria através da mãe, e ter se livrado do valor de um aluguel, ele conseguiria reverter parte deste gasto para manter o filho, Carlos André, de apenas 12 anos, confortável com o novo presente.
  • Ficamos muito felizes e, na hora, fomos comprar o ar-condicionado para ele! Ele nos contou que o menino, quando soube, abriu um sorrisão! A mãe e a avó do menino choraram e queriam nos conhecer – disse o policial – Só de saber que iremos amenizar o problema de um garoto com paralisia, que nem sequer sabe falar… A gente se esforça para isto. Eu conversei antes com a minha esposa. Nós temos nossos problemas, nossas dificuldades do dia-a-dia, mas, na hora de ajudar, não pensamos duas vezes.
  • Para mim foi uma surpresa muito grande! Estávamos sem condições de comprar um aparelho e o nosso filho não conseguia dormir, nossa casa é de telha, então fica muito quente! Eu fiquei muito emocionada. Foi um gesto muito bonito! – diz a mãe do menino, e esposa de Marcos, Aline Vieira, de 35 anos.
  • Hoje em dia é muito difícil alguém chegar e fazer uma doação como essa. Quando eles chegaram, eu estava comentando que não estava aguentando de calor. Fiquei sem acreditar. Já instalamos o ar-condicionado e, agora, o meu filho consegue dormir tranquilamente! Sou muito grata a estes policiais.

Com 22 anos de corporação, o Sargento França diz que fica triste com a expectativa negativa que as pessoas tem em relação à PM. Ele mostra que a atitude não foi um fato isolado, e revela que, sempre que pode, se esforça para ajudar quem precisa.

  • Nós ficamos muito gratificados, porque, por incrível que pareça, isto está repercutindo positivamente. O que a pessoa espera do policial? Só notícia ruim. Então, quando aparece este tipo de coisa positiva, as pessoas reagem desta forma. Eu sempre gosto de ajudar. Para mim é algo muito especial. Sou doador de vários bancos de sangue pelo Rio, participo de um projeto de futebol para crianças no batalhão, dou conselho a estes garotos para que eles não se percam no caminho. No fim do ano, também fazemos uma festa de Natal para as crianças do meu bairro, com bolo e presentes – conclui.

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